sexta-feira, 6 de julho de 2012

A ÉTICA

O homem é um ser moral que orienta suas ações de acordo com os valores morais da sociedade. 


Distinção entre moral e ética


A moral é um conjunto de normas que orientam o comportamento humano tendo como base os valores de uma determinada cultura. Como as culturas são distintas, os valores também são distintos e dão origem a códigos morais diferentes.
A ética é a disciplina filosófica que estuda os diversos sistemas morais elaborados pelos seres humanos. Além disso, a ética preocupa-se ainda com a a união entre o saber e o fazer, ou seja, busca aplicar o conhecimento sobre o ser para construir o dever ser.


Moral e direito


A moral e o direito possuem semelhanças e diferenças. Ambos devem ser seguidos por todos, buscam uma convivência melhor entre os indivíduos, orientam-se pelos valores culturais de uma determinada sociedade e possuem caráter histórico, ou seja, mudam de acordo com as transformações sociais. No entanto, as normas morais são cumpridas devido à convicção pessoal dos indivíduos e as normas jurídicas são cumpridas porque senão haverá sanção pelo Estado; e as sanções para o descumprimento das normas morais podem variar porque depende da consciência moral e as sanções para o descumprimento das normas jurídicas estão previstas na legislação.


Moral e liberdade


Moral e liberdade estão intimamente ligadas. O homem possui consciência moral, isto é, a faculdade de observar a própria conduta e formular juízos sobre seus atos, decidir sobre o bem e mal, o justo e o injusto.  Ao julgar, tem a liberdade de escolher seu caminho. Quando o homem escolhe o seu caminho ele passa a ter responsabilidade pelos seus atos e pode ser julgado moralmente por isso.
A consciência moral pode indicar o caminho da virtude, que dignifica o homem, ou do vício, que corrompe o homem.
Mas será que somos realmente livres para decidir sobre o melhor caminho?
Existem três respostas filosóficas para esse problema:
1 - A liberdade não existe porque o ser humano é determinado por sua natureza biológica ou histórica (Helvetius e Holbach).
2 - A liberdade existe e está acima de todas essas determinações (Jean-Paul Sartre). 
3 - O homem é livre e determinado ao mesmo tempo (Espinosa, Hegel e Marx).


Transformações da moral


O sistema moral de cada grupo é elaborado ao longo do tempo conforme os valores reconhecidos como significativos para a convivência social. Esse sistema é transmitido de geração para geração. Contudo, os indivíduos possuem a liberdade de aceitar ou rejeitar as normas morais. Eles podem consolidar a moralidade existente, mas também podem negar essa moralidade e transformá-la. 


Escolhas morais


Ao realizar escolhas morais os indivíduos levam em consideração fatores objetivos e subjetivos. Os fatores objetivos relacionam-se às normas já estabelecidas e os subjetivos à liberdade e a responsabilidade individual.
Existem quatro possibilidades de escolha:
1 - Ação moralmente boa - O indivíduo adere conscientemente à norma porque a considera legítima.
2 - Ação moralmente má - O indivíduo considera a norma legítima, mas contraria a norma numa determinada situação. 
3 - Conflito ético - O indivíduo não adere conscientemente à norma porque a considera  ilegítima.
4 - Niilismo ético - O indivíduo nega radicalmente qualquer valor moral.



A FELICIDADE - SUGESTÕES DE FILMES




SUGESTÕES DE FILMES






DÚVIDA METÓDICA - RENÉ DESCARTES

O filósofo francês René Descartes (1956-1650) criou a dúvida metódica.  



A DÚVIDA

Situação filosófica

"Em uma manhã ensolarada da antiga Atenas, a população desenvolvia tranquilamente seus afazeres. De repente, um homem cruza a praça correndo, e logo se ouvem gritos desesperados:

-Pega ladrão! Pega ladrão!

Um soldado imediatamente se lança em disparada atrás do sujeito. Sócrates, por sua vez, pergunta:
-O que é um ladrão?"

Analisando a situação

Tudo transcorria normalmente em Atenas, na Grécia Antiga, quando um homem surge gritando "Pega ladrão!". A situação levou o soldado a correr atrás do ladrão. Mas, provocou  em Sócrates um deslocamento e, consequentemente, um questionamento: "O que é um ladrão?" A atitude do soldado é própria do senso comum e a de Sócrates é característica dos filósofos.


Importância de perguntar

Duvidar é fundamental para ter um conhecimento mais amplo. Porém, poucas pessoas duvidam, questionam.  Geralmente, as pessoas não perguntam porque possuem dificuldade de se expressar ou medo de falar em público porque consideram que perguntar é expor uma debilidade. 

Atitude filosófica

A atitude indagadora é filosófica e é essencial tanto para aqueles que desejam tornarem-se filósofos quanto para aqueles que desejam apenas refletir sobre alguma situação.
A atitude filosófica é comum na infância. O homem, quando é criança, questiona tudo e todos, mas, quando cresce, contenta-se com respostas prontas e acabadas. Para recuperar a atitude filosófica, o homem deve inspirar-se na infância e recomeçar a indagar.

Dúvida filosófica

As dúvidas filosóficas surgem nos momentos de estranhamento. Indagar sobre qual time vai ganhar o Campeonato Brasileiro de Futebol não é uma dúvida filosófica. Mas, indagar sobre "O que é o mal?" ou "O ser humano é mal?" quando nos deparamos com crimes bárbaros, é uma dúvida filosófica que demanda uma explicação racional.
A partir da dúvida, o filósofo constrói uma explicação fundamentada sobre o objeto de sua reflexão.




COMO ANDA A NOSSA FELICIDADE

Felicidade na História

A concepção de felicidade muda de acordo com o tempo e o espaço e continua sendo objeto de análise dos filósofos. Historicamente, três valores são considerados fundamentais para a felicidade individual e coletiva: amor ao próximo, liberdade e bem comum. 
A defesa do amor ao próximo surgiu com o advento do cristianismo. Os cristãos defenderam que  Deus ama a todos indistintamente e que o homem deve amar ao próximo como a si mesmo. Acreditavam que só quem ama o próximo pode ser feliz.
A liberdade foi defendida no período do Iluminismo. Os filósofos iluministas defenderam a liberdade política, econômica, religiosa, de expressão. Acreditavam que só quem é livre é capaz de ser feliz.
Platão já defendia a importância do bem comum, mas a partir do Iluminismo, Esse ideal passou a ser amplamente defendido. Acreditavam que só é feliz quem defende o bem para toda a sociedade.


Felicidade nas Ciências


Diversas ciências oferecem contribuições importantes para a reflexão sobre a felicidade, entre elas, a Medicina, a Psicologia a Economia e Sociologia.
Estudos de Neurofisiologia evidenciam que quando as pessoas estão felizes algumas áreas do cérebro passam a ter mais atividade. A Medicina também aponta que a saúde é importante para a felicidade e vice-versa. Alguns defendem que pessoas saudáveis são mais felizes e outros que pessoas felizes são mais saudáveis.
A Psicanálise aponta que os primeiros anos de vida são fundamentais para que o indivíduo adulto possa ser feliz. Além disso, os modelos de conduta no ambiente familiar são importantes para que o adulto possa segui-los e alcançar uma existência feliz.
Os economistas consideram que o dinheiro não traz felicidade porque pesquisas evidenciam que a elevação do nível de renda não aumenta significativamente a felicidade. Por outro lado, defendem que o trabalho é importante para a felicidade porque afeta a autoestima.
A Sociologia demonstra que o convívio social e a cooperação são fundamentais para a felicidade.

ATIVIDADE

1) Você considera que o amor ao próximo, a liberdade e a defesa do bem comum são importantes para a conquista da felicidade? Justifique.
2) Você concorda com os resultados apontados pelos cientistas sobre a felicidade? Justifique.





quinta-feira, 5 de julho de 2012

ALEGORIA DA CAVERNA



Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco Estou vendo.
Sócrates Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.
Glauco Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.
Sócrates – Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica de fronte?
Glauco – Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?
Sócrates – E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?
Glauco – Sem dúvida.
Sócrates – Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?
Glauco – É bem possível.
Sócrates – E se a parede do fundo da prisão provocasse eco, sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?
Glauco – Sim, por Zeus!
Sócrates – Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados.
Glauco – Assim terá de ser.
Sócrates – Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?
Glauco – Muito mais verdadeiras.
Sócrates – E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?
Glauco – Com toda a certeza.
Sócrates – E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?
Glauco – Não o conseguirá, pelo menos de início.
Sócrates – Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e a sua luz.
Glauco – Sem dúvida.
Sócrates – Por fim, suponho eu, será o Sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal como é.
Glauco – Necessariamente.
Sócrates – Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.
Glauco – É evidente que chegará a essa conclusão.
Sócrates – Ora, lembrando-se da sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que aí foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?
Glauco – Sim, com certeza, Sócrates.
Sócrates – E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples criado de charrua, a serviço de um pobre lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?
Glauco – Sou da tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.
Sócrates – Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?
Glauco – Por certo que sim.
Sócrates – E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que os seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se a alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?
Glauco – Sem nenhuma dúvida.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

PLATÃO. A República. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção Os Pensadores).